Os princípios do Imperialismo Estado-Unidense

Os Estados Unidos da América (EUA), desde a sua independência e como primeira nação a levar à prática num documento os princípios do Iluminismo, sempre pretenderam desde o seu início irem além das iniciais doze colónias da costa leste-atlântica e desde os seus princípio, investiram em capitalizar a sua influência em todo o restante supercontinente americano. James Monroe foi o quinto presidente norte-americano entre 1817 e 1825 e assistiu à independência da maior parte das antigas colónias ibéricas na América do Sul (Argentina em 1816, Brasil em 1822). Querendo exercer a sua influência sobre as recém-proclamadas nações vizinhas a sul James Monroe proclamou a chamada “Doutrina Monroe” em 1823 que simplesmente dizia que os Estados Unidos da América não tolerariam mais qualquer intervenção europeia sobre as suas ex-colónias no Hemisfério Americano, tentando desta forma dar conta de servir de “testa de ferro” às jovens nações sul-americanos.  A máxima usada era “A américa para os americanos”. Numa altura em que a jovem nação estado-unidense já tinha efectuado a sua expansão para oeste tomando conta da Louisiana e adquirindo cerca de metade do seu território actual, preparando-se para dar o assalto às restantes possessões da Espanha para oeste que tinham-se tornado independentes como fazendo parte recém-criado estado do México (1810), expansão esta que terminaria 20 anos depois, com a guerra mexicano-americano que traçou as actuais fronteiras entre os Estados Unidos e o México e a incorporação da ex-república mexicana do Texas na União (1846).
Com o território continental contíguo consolidado praticamente até 1860, os Estados Unidos para na prática passarem a afirmar-se como nação com ambições imperialistas tiveram de esperar cerca de 50 anos, durante os quais precisaram de abolir a escravatura, enfrentar uma guerra civil que ameaçava segregar a União (1861-1865) por causa deste último factor de produção obsoleto.
Foi no entanto apenas já no século XIX e sob o presidente Theodore Roosevelt (1901-1909) que finalmente os Estados Unidos passaram da teoria à prática, ainda antes de Roosevelt se tornar presidente, este chefiou a invasão americana como coronel para libertar a ilha de Cuba do colonialistas espanhóis (1898) e que teve como resultado final a sua independência. Theodore Roosevelt (TR, como os estado-unidenses gostam de abreviar) tornou-se presidente dos Estados Unidos fruto de um capricho do destino (1901) após o assassinato inesperado do recém-empossado presidente William McKinley, sendo TR, que, na prática quem criou a ideia dos Estados Unidos como “polícia do mundo”. Ficou para a posterioridade o termo “big stick” (“grande bastão”) que empregou para se referir a todos as ameaças estrangeiras às recentes ambições extra-territoriais dos EUA.

Passou à posterioridade a intervenção de TR no Panamá, pois desde há praticamente 50  anos e desde que os EUA tinham, através da sua contínua expansão territorial, alcançado a costa do Pacífico, a ainda incipiente Marinha Estado-Unidense enfrentava grandes dificuldades para defender a recém-adquirida costa oeste de uma eventual incursão de oeste, necessitando para tal de contornar todo o supercontinente americano por Norte ou por Sul. A necessidade da sua construção acabou por se tornar, na prática, em obrigação e foi sob TR que esse objectivo foi finalmente cumprido. Após o contacto inicial com as autoridades colombianas (o Panamá era na altura uma província da Colômbia) estas recusaram o preço inicialmente proposto pelos estado-unidenses, achando-o baixo, de maneira que não sobrou outra hipótese ao presidente TR que apoiar um independentista panamiano que lhe garantiu a aprovação da construção do canal em troca da independência do Panamá da Colômbia. A história do Panamá como nação esteve, portanto desde o seu início, inexoravelmente ligada à construção do canal do mesmo nome. Poderíamos-lhe chamar também “Canal Roosevelt”, visto que foi TR o principal obreiro da sua implementação. O próprio TR tornou-se o primeiro presidente a fazer uma visita ao estrangeiro para supervisionar as obras de construção do canal (1906). O canal acabou por ser inaugurado em 1914, estando já Woodrow Wilson na presidência.

Na prática, o imperialismo americano que encontrou em TR o seu primeiro intérprete prático traduziu-se na independência de duas novas nações: Cuba e Panamá, para além, de, claro, a conclusão da abertura do Canal do Panamá.

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O presidente Theodore Roosevelt (TR) empunhando o seu “big stick”preconizando o seu domínio sob todo o Mar das Caraíbas, numa caricatura da época. (Fonte: Wikipedia)

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