Porque é o tempo “passa” mais depressa à medida que envelhecemos !?

É subjectivo estar dizer isto, pois claro, cada um tem um cérebro diferente dos outros, mas nos aspectos essenciais o modo básico de funcionamento de cérebro é idêntico em toda a gente. Se os impulsos visuais provenientes dos sensores ópticos da retina formarem menos imagens à medida que vamos envelhecendo, parece plausível assumir que o tempo passará cada vez mais depressa. O exemplo da retina não é aplicável para invisuais, mas penso que o mesmo se aplica a todos os restantes “sensores” do nosso corpo: poderá não ser as células  sensoriais que são estimuladas por factores externos como os cones e bastonetes da retina, os sensores da bigorna e estribo do ouvido médio, os receptores de todo o tipo (toque, calor) presentes na pele, as papilas gustativas na língua, os receptores olfactivos. Todo a imagem do nosso mundo é dada de uma forma integrada no nosso cérebro proveniente de pontos de recolha de informação que são as nossas células sensoriais. Se elas começarem a registar menos informação por unidade de tempo, logicamente o “tempo subjectivo” irá acelerar. À medida de que envelhecemos, este “tempo subjectivo” será percepcionado da mesma forma como deixar-nos levar pelo nosso pelo  ao descer a encosta de uma montanha, ou levar pela corrente de um curso de água. Mais e mais acelerado será à medida que aproximamos do fim. É o que acredita o professor romeno Adrian Bejan da Universidade de Duke, de acordo com um artigo publicado no jornal científico European Review, e revisto neste artigo site de notícias de ciência quartz.com (em inglês) .

Physics explains why time passes faster as you age

O artigo original está publicado online aqui.

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A descoberta dos restos mortais de Ricardo III

A história completa do achado dos restos mortais de Ricardo III. Uma sorte incrível numa história com início em 1485 e fim mais de 500 anos depois.

Montesa – A outra  descendente dos Templários

Não é muito referido, mas a Ordem de Cristo não foi a única ordem religiosa-militar ibérica que assumiu os direitos e posses dos  dos Templários com a sua extinção em 1313. No reino de Aragão, o rei Jaime II, aproximadamente ao mesmo que D. Dinis em Portugal, solicitou ao papa João XXII a criação de uma nova ordem militar que recebesse as doações e direitos dos Templários. A resposta afirmativa do papa veio em 10 de Junho de 1317, sendo a sua fundação efectuada a 22 de Julho de 1319 na vila de Montesa, daí ganhando o nome desse lugar. A nova ordem no entanto, não teve de imediato autonomia e dependência, estando dependente da Ordem de Calatrava, sendo que o mestre desta ordem em Aragão passou imediatamente a grão-mestre da nova ordem. E ao contrário do que aconteceu em Portugal, em que os antigos cavaleiros templários foram integrados na nova Ordem de Cristo, neste caso a Ordem de Calatrava aragonesa serviu para “emprestar” membros seus na nova ordem. As insígnias  da nova ordem reflectiram esse facto, ficando a cruz vermelha templária sobreposta à cruz da Ordem de Calatrava em cor escura.
A ordem de Montesa na nova monarquia unificada de Castela e Aragão resistiu a que o rei conseguisse alcançar a liderança por muito tempo, ao contrário das restantes ordens religioso-militares, como a de Calatrava, e resistiu com um grão-mestre independente até 1576, quando o seu último grão-mestre, por acaso membro da polémica família Bórgia, foi destituído debaixo de acusações de sodomia pela Inquisição e Felipe II passou a liderar a ordem, subsistindo hoje como as demais ordens, na forma de condecorações honoríficas indicadas pelo Chefe de Estado, neste caso o actual rei de Espanha Felipe VI.

As falhas do Google Maps em Cabanas

A Google neste momento consegue saber tudo sobre todos os cantos do mundo, graças à sua tecnologia “Google Street View” que não é nada mais que a recolha fotográfica de todas as estradas acessíveis por automóvel. Mas não se trata do Street View que venho referir especificamente, mas dos Google Maps, relativamente ao ponto actual em que se encontram os nomes das ruas e alguns pontos de interesse na vila onde resido  (eu continuo a preferir chamar-lhe “aldeia”).

Existem algumas chamadas de atenção que seria importante fazer . O problema já existe desde há vários anos e chega ao ponto de perturbar quem se fia neste serviço da Google para fazer entregas. Aconteceu comigo em relação à Chronopost, em que a minha morada, de acordo com o Google, é num caminho não alcatroado de uma zona de fazendas onde não há habitações. Por causa desse erro, uma encomenda não foi entregue e só após contacto com o operador em que fiquei a par do erro é que foi esclarecida a situação (e a encomenda pode me ser entregue). O Google tem um formulário para os utilizares indicarem eventuais erro na localização das ruas, mas o mesmo tem uma série de validações que tornam na prática impossível a remissão do erro.

Paralelos na história de duas nações: a Guerra das Rosas e a Batalha de Alfarrobeira

Em fins do século XIV a transitar para o XV, dois reis em dois países distintos decidiram tomar decisões idênticas que se tornaram nas sementes da discórdia que levariam à formação de partidos entre os nobres que tinham graus de parentesco entre si. A maneira como depois estes conflitos foram resolvidos é que tomou durações diferentes.

As nações de que estamos a falar são Portugal e Inglaterra e os reis respectivos João I e Eduardo III, e os conflitos que as suas decisões geraram denominam-se Batalha de Alfarrobeira e Guerra das Rosas. Vamos ver os pontos idênticos entre as decisões que tomaram e as diferenças nos desfechos que tiveram.

Em Inglaterra, o rei Eduardo III, teve quatro filhos varões que viveram até à idade adulta, a começar por Eduardo, o príncipe de Gales ( alcunhado de O Príncipe Negro por usar armadura negra nas batalhas da Guerra dos Cem Anos contra a França), e para satisfazer os não-primogénitos, Eduardo teve de criar ducados os três príncipes: João de Gaunt ficou com Lencastre, Edmundo de Langley com York e Tomás de Woodstock tornou-se duque de Gloucester. Foram os primeiros ducados criados em Inglaterra.

Em Portugal, João I, o vencedor de Aljubarrota seguiu a mesma direcção: na ordem de nascimento atribuiu ducados e posições a cada um dos infantes: D. Pedro tornou-se duque de Coimbra, D. Henrique duque de Viseu, D. João ficou com o mestrado da Ordem de Santiago e D. Fernando com a Ordem de Avis. Mais tarde, o filho mais velho – excluído da sucessão real por ser fruto de uma relação não legitimada do pai – D. Afonso, conde de Barcelos, tornar-se-ia duque de Bragança para poder ombrear de igual modo com os meios-irmãos. Mas também foram os primeiros ducados criados no nosso país.

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A Catedral do Mar

Baseado no livro de Ildefonso Falcones, esta produção espanhola, com a colaboração da Netflix, que a tem disponível em streaming, narra a história da construção da outra menos conhecida catedral de Barcelona, a Catedral da Nossa Senhora do Mar.

Pormenor de um bastaixo da Catedral

Somos transportados para o séc. XIV, o último século da Idade Média, com todas as suas conturbações políticas, a Guerra dos Cem Anos, a Peste Negra, em que Barcelona pertence à coroa de Aragão. Estamos perante uma sociedade feudal, os camponeses são vergados ao dislate dos senhores das suas terras. É neste contexto que um surge um jovem de origem humilde, Arnau Estañol, filho de um camponês fugido para a cidade refugiando-se em casa de uma irmã, casada com um burguês de Barcelona. Aí, o jovem Arnau irá ter uma educação melhor, juntamente com os primos. Mas é nessa relação que Arnau com os primos e da sua condição nobre que Arnau vai criar o seu desprezo por todos o que seja nobreza. É em Barcelona que Arnau conhece a Confraria de Nossa Senhora d’El Mar, cujos membros se chamam bastaixos, que transporte aos ombros e com as suas próprias forças, o blocos de rocha que estão a ser usados na construção da sua catedral. O próprio Arnau cresce para a maioridade tornado-se um deles.
Todas as relações da sociedade feudal encontram-se aqui representadas, burgueses, nobreza, clero, judeus, escravos, de forma que esta série de 8 episódios é um bom retrato da sociedade daquele tempo.

A confraria é em tudo semelhante às que existiram nas comunidades piscatórias do Algarve, onde os seus membros tinham assistência e apoio quando necessitavam de fazer frente aos imprevistos comuns. Se bem que a sua igreja (como em Tavira) está em proporção com a dimensão da cidade.

Esta é uma história onde existe amor, rivalidade, vingança, doença, dor, guerra, ódio, todos os ingredientes de uma novela histórica, da época medieval.