Não é muito referido, mas a Ordem de Cristo não foi a única ordem religiosa-militar ibérica que assumiu os direitos e posses dos dos Templários com a sua extinção em 1313. No reino de Aragão, o rei Jaime II, aproximadamente ao mesmo que D. Dinis em Portugal, solicitou ao papa João XXII a criação de uma nova ordem militar que recebesse as doações e direitos dos Templários. A resposta afirmativa do papa veio em 10 de Junho de 1317, sendo a sua fundação efectuada a 22 de Julho de 1319 na vila de Montesa, daí ganhando o nome desse lugar. A nova ordem no entanto, não teve de imediato autonomia e dependência, estando dependente da Ordem de Calatrava, sendo que o mestre desta ordem em Aragão passou imediatamente a grão-mestre da nova ordem. E ao contrário do que aconteceu em Portugal, em que os antigos cavaleiros templários foram integrados na nova Ordem de Cristo, neste caso a Ordem de Calatrava aragonesa serviu para “emprestar” membros seus na nova ordem. As insígnias da nova ordem reflectiram esse facto, ficando a cruz vermelha templária sobreposta à cruz da Ordem de Calatrava em cor escura.
A ordem de Montesa na nova monarquia unificada de Castela e Aragão resistiu a que o rei conseguisse alcançar a liderança por muito tempo, ao contrário das restantes ordens religioso-militares, como a de Calatrava, e resistiu com um grão-mestre independente até 1576, quando o seu último grão-mestre, por acaso membro da polémica família Bórgia, foi destituído debaixo de acusações de sodomia pela Inquisição e Felipe II passou a liderar a ordem, subsistindo hoje como as demais ordens, na forma de condecorações honoríficas indicadas pelo Chefe de Estado, neste caso o actual rei de Espanha Felipe VI.
Montesa – A outra descendente dos Templários
Anúncios
