O príncipio dos Ancestrais Idênticos – Video “São todos os europeus descendentes de Carlos Magno !?”

Esta pergunta vem no mesmo sentido de responder a uma dúvida levantada há anos num artigo de imprensa de que todos os portugueses seriam descendentes do nosso primeiro rei. Aqui a questão é respondida por um canadiano de Vancouver que fala o que afirma ser o “princípio dos ancestrais idênticos” proposto pelo matemático Joseph T. Chang da Universidade de Yale. Com base nos diagramas genealógicos que publica no seu site usefulcharts.com (passo a publicidade), ele cita alguns artigos deste matemático, chegando ao que chama de “princípio dos ancestrais idênticos”, e que se baseia em três premissas:

  1. O número de antepassados aumenta exponencialmente à medida que vamos recuando no passado
  2. Algum dos nossos antepassados tem um grau de parentesco com o seu cônjugue (o que faz com que a premissa anterior não se cumpra na sua plenitude). Isto é, descobrimos nos nossos “costados” uma pessoa que é a mesma que aparece noutro “ponto” da “árvore de antepassados”.
  3. Todas as pessoas do planeta estão ligadas entre si apenas por 6 “relações” (princípio dos 6 graus de separação). Isto é, para chegar até si, tenho um amigo de um amigo de outro amigo que é amigo de outra pessoa que tem um amigo que esse sim é seu amigo. Algo que está demonstrado pelas redes sociais.

O número de antepassados estimado tendo em conta as premissas anteriores, e recuando tempo suficiente, será sempre superior ao total da população humana do planeta para essa época. Daí que podemos muito bem sermos descendentes, nós os Europeus, do imperador franco Carlos Magno. Temos a certeza que ele era antepassado de Afonso Henriques.

Vídeo abaixo (em inglês) com os links na descrição para as publicações científicas que sustentam a hipótese.

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O imperador que quebrou o maior segredo da China

Justiniano, o imperador bizantino que se tornou célebre por fazer ressurgir a cultura romana via Oriente, após o ocaso de Roma, governando o Império Romano do Oriente a partir de Constantinopla, terá sido responsável por um dos primeiros casos documentados e com sucesso de espionagem industrial: como conseguiu extrair dos chineses o segredo do fabrico da seda.
Aproveitando um período de desunião do Império do Meio, Justiniano enviou dois emissários à China para entender como se fabricava o precioso tecido, um segredo fechado a sete chaves desde tempos milenares na China.

É o que explica esta animação da canal do Youtube Kings and Generals, na qualidade a que já nos habituou (discurso em inglês).

A montagem do “Arco Triunfal”, por parte de um museu americano

 

Na sequência do post anterior, deixo aqui o vídeo de um relato de uma equipe de curadores de um museu americano que se deram ao trabalho de assemblar o conjunto todo das ilustrações patentes num livro do século XVIII, sendo cada página uma peça do puzzle imenso.

The Darkening Age: The Christian Destruction of the Classical World by Catherine Nixey

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Aqui está um bom livro dirigido às mentes que não acreditam que os Cristãos destruíam templos nos fins do período clássico – da mesma maneira que os jihadistas do Daesh derrubaram monumentos –  e que cunharam o termo “pagão” para se referir a tudo o que não era cristão  – e por esse motivo destruíram todos os templos e edifícios não religiosos mas conotados com a cultura greco-romana: sendo a Biblioteca de Alexandria o melhor exemplo. Estes episódios conturbados foram bem transpostos para o grande ecrã pelo realizador chileno Alejandro Aménabar na sua obra Ágora, de 2009, com Rachel Weisz no papel da filósofa Hipátia. Agora, Catherine Nixey vem nesta obra relatar que os cristãos, mesmo os mais fanáticos, não destruíram templos nem cometeram atrocidades. Os parabolani de São Cirilo, patriarca de Alexandria, foram responsáveis por muitos destes acontecimentos, relatados no filme de Aménabar e que foi alvo de censura nos meios mais ortodoxos dos Estados Unidos e Itália.

ACTUALIZAÇÃO: Existe uma tradução em Português com o título “A Chegada das Trevas” pela editora Saída de Emergência.

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O que é que uma coisa tem a ver com a outra !?

Brasão do Reino do Algarve – uma farsa !?

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Duas versões do “presuntivo” Brasão do Reino do Algarve, ambas do século XVII: a da esquerda é holandesa e figura no Atlas Contractus de Johann Janssonius (1666), a segunda é portuguesa e é referida no Thesouro da Nobreza de Francisco Coelho (1675)

ACTUALIZAÇÃO: Foi criado o artigo sobre o brasão do Reino do Algarve na Wikipédia. Escusado dizer quem é o autor original.

Na wikipédia tudo pode ser editado e tudo é editável e também pode haver membros da comunidade que, por opinião meramente pessoal insistirem num ponto de vista que quando descamba em desfavor, levam a discussão ao ponto de se auto-ridicularizarem. Foi o que aconteceu depois de um dos membros desta comunidade eliminar o brasão de armas que ilustrava a infocaixa do artigo da wikipédia sobre o Reino do Algarve sob o pretexto de o mesmo nunca ter sido usado pelas autoridades que governavam a província equiparada a um reino titulado, mas ser apenas uma fantasia criada por um ilustrador de mapas holandês do século XVIII. O que é certo é que o referido brasão figurou no artigo durante muito tempo sem ninguém o pôr em questão, assim como continuar a figurar no artigo homólogo da wikipédia inglesa e na espanhola . Fiquei um tanto espantado com a remoção, quando para mais o dito sujeito escusava-se sem demoras e sem explicar as razões da sua acção. Decidi repõr o brasão na infocaixa. Resultado: um “senhor administrador” qualifica a minha acção como “vandalismo”, colocando-se do lado do outro indivíduo detractor do brasão do Algarve, provavelmente seu “protégé”. Confronto este sujeito, e a resposta dele é pôr-me na frente a “carta de princípios da Wikipédia” com a ideia de que quem insere informações é quem as deve provar depois ( aquilo a que o fulano chamou “Ónus da Prova“). Em primeiro lugar, não fui eu que adicionei o brasão, ele esteve patente durante algum tempo, e sou tratado pelo sujeito, que venho a saber é um sysadmin da Wikipédia, como se fosse quem tivesse inserido o brasão, para além de ter sido tratado como se fosse um “vândalo“. Isto levou-me a pensar que a wikipédia é controlada por indivíduos que, abusando do seu poder dentro da comunidade, fazem valer as suas opiniões em função do estatuto que têm na sua comunidade e podem tratar qualquer colaborador (eu, por exemplo, que já tenho umas quantas centenas, senão milhares de bytes de texto editado na Wikipédia portuguesa) como se fosse um vândalo caso estes expressem opiniões contrárias às suas. Volto a confrontar o sujeito na página de discussão do artigo, ele finalmente, após várias vezes solicitado da minha parte para explicitar os seus motivos, lá se descose, e diz porque não acredita este brasão alguma vez ter sido utilizado pelo Reino do Algarve enquanto ele existiu (desde 1249 até 1834, fim da monarquia absoluta), quando fui substituído pelo “Distrito de Faro”. Apesar de tudo diz que o desenho existe, é um facto, mas foi usado apenas por ilustradores de mapas e nunca por portugueses e que hoje ele é apenas conhecido por algures no século XX, a câmara municipal de Silves, quando pretendeu redesenhar o seu brasão, ter perguntado à Sociedade Portuguesa de Arqueologia, na altura a autoridade portuguesa em termos de Heráldica, ter proposto a redefinição do brasão de Silves inspirando-se nos rostos dos reis mouros e reis cristãos que figuram no tal escudo, acto que levou a que as restantes autarquias algarvias também requeressem a mesma “renovação” do seu brasão de armas, tornando-se um denominador comum de todos os brasões dos municípios da região, a presença de um rei mouro e um rei cristão no escudo da autarquia. E que só depois disto é que toda a gente começou a pensar que o “Reino do Algarve” teria tido no passado usado este escudo em virtude desta reforma das armas. Mas, eu fui consultar outras fontes, e graças a elas, descobri num armorial português do século XVII – o “thesouro da Nobreza“, quase da mesma época que o Atlas holandês que deu a primeira versão do brasão, que surge um brasão quase idêntico, com a diferença de figurarem dois rostos em vez de apenas um em cada um dos quartéis do escudo algarvio e, claro de faltar a coroa e as cores amarela e vermelha do fundo dos quartéis. Não sei se Francisco Coelho, autor do Thesouro terá estado em contacto ou teve conhecimento do Atlas Contractus do holandês Johan Janssonius, mas se não esteve, a coincidência é boa demais para se tratar de um mero acaso, a grande semelhança entre os dois escudos. Quando confrontado com o escudo proveniente do armorial português, o meu correligionário da wikipédia pergunta “O que é uma coisa tem a ver com a outra?”. Eu estive para responder “O que é que o c… tem ver com as calças?”. Mas, dada uma das regras da wikipédia é não levar a discussão do tema para o tom de ataque pessoa, decidi ser sarcástico e expressar o que minha na alma de uma forma subtil. A discussão acabou por ali, pelos vistos o meu caro correligionário não gostou da minha ironia enquanto outro utilizador, observador, veio propor tréguas afirmando que o escudo poderá aparecer no artigo, mas não na infocaixa, proposta que aceitei de imediato, sem qualquer resposta por parte do senhor “sysop” da Wikipédia que provavelmente virá todos os verões apreciar o nosso Algarve, e não lhe agrada que o Algarve no passado tido um estatuto de “Reino”, se bem, a bem da verdade, apenas de uma forma simbólica e formal, e porque não a sua região (que desconheço qual seja) não deveria ter tido também esse direito. A discussão que tive com o sujeito está toda aqui.

25 de Abril… 44 anos e para sempre !?

salgueiro_zpspn6zkzmbNeste dia completam-se 44 anos da revolução dos cravos. Todas as pessoas que eram jovens de 20 na altura daqueles acontecimentos sabem que aquele dia seria apenas o dia 1 de dois longos anos que só terminaram com a eleição democrática do primeiro governo e presidente da república e a aprovação da Constituição (outros diriam que terminaram a 25 de Novembro). O primeiro capítulo que é lembrado, uma vez que outras datas, como 11 de Março de 1975 e outro 25 do outro mês teria sido como a Revolução de Outubro da criação da União Soviética, caso tivesse tido sucesso. O Regime do “Estado Novo”, como se autoproclamava, durou de 1932 a 1974, 42 anos portanto, se ales acrescentarmos os 6 anos de ditadura militar que se estenderam de 1926 a 1932 até o senhor natural de Santa Comba Dão assumir as rédeas do poder, serão 48 anos. Em breve ( 4 anos, em 2022) a nossa democracia terá ultrapassado em longevidade o período de ditadura militar-fascista que perdurou de 1926 a 1974. Sinal de que a nossa democracia está madura e se tem aguentado, apesar de todos os altos e baixos que ela conheceu !?

Toda a gente sabe, actualmente na Europa existem dois ou três estados (excluindo a Turquia e a Rússia, que não são “completamente europeias”) que estão em vigor regimes que apesar de terem chegado ao poder por via de escrutínio, assumiram decisões, na nossa óptica de europeus ocidentais, põem em causa aquilo que são as bases de uma democracia. Não vou exemplificar. Os jovens que nasceram já muito após 1974, nasceram já numa liberdade que não souberam como foi dura de conquistar, e assumem-na como se fosse um direito de facto, da mesma maneira que têm direito a comer, a beber e a dormir, portanto, uma coisa natural. Por isso, poderá não admirar que poderá aparecer por aqui ou ali algumas bocas que defendam que no tempo da velha senhora é que era bom, que não havia tanta corrupção, que as cadeias estavam vazias e que Portugal era uma potência multicontinental, e abdicou de tudo isso para se tornar num país pouco relevante, no contexto de uma Europa de potências regionais que sempre tiveram o seu pendor histórico que lhes permitiu usufruir desse estatuto, escusado relembrar ou nomear que nações se tratam.

Portugal terá de continuar a acreditar que a sua democracia tem sobrevivido aos desafios e vicissitudes apresentados pelo tempo. Sinal que o seu passado histórico se reflecte na sociedade, e, na memória colectiva do povo, este é o regime político que melhor ne convém, porque também é o regime político de que as outras nações da União Europeia têm instituído, com a excepção de uns poucos casos supra-citados.

Deveremos manter o optimismo e perguntar por quanto tempo vamos manter vivo o espírito do dia, para evitar que se torne numa data esquecida no tempo como o 5 de Outubro !?

 

António Tenreiro – o explorador desconhecido

António Tenreiro é praticamente um desconhecido para a maioria dos portugueses, foi um viajante português do século XVI, anterior a Camões e a Fernão Mendes Pinto, que encetou uma viagem por terra da Índia para Portugal, uns dizem para servir inicialmente da embaixada de D. João III ao xá da Pérsia, outro para servir de espião junto dos persas que nessapicture_from_156027s_1st_edition_of_do_itinerario_de_antc3b3nio_tenreiro altura ameaçariam Ormuz, onde Afonso de Albuquerque havia erguido uma fortaleza que controlava um dos acessos ao Oceano Índico. Em 1528 enceta uma viagem de regresso a Portugal por terra de que dá conta em 1560, numa publicação em Coimbra que passou à posteridade como Itinerário , do título completo Itinerário de António Tenrreyro, cavaleyro da ordem do Christo, em que se contem como da Índia veo por terra a estes Reynos de Portugal.  . Pouco se sabe desta personagem, escondida no negrume da história, que foi cavaleiro da Ordem de Cristo. Provavelmente, a sua faceta de espião levou ao facto de ter permanecido esquecido. Continuar a ler “António Tenreiro – o explorador desconhecido”