Catálogos das Bibliotecas Municipais do Algarve

 

Este é um post que uso de referência bastante para mim próprio, quando quero pesquisar determinado livro e saber se está presente nalguma biblioteca da região. Os links vão directamente para as páginas onde estão os formulários sem ter que passar pelas páginas de apresentação.

Compilação de links de catálogos de bibliotecas municipais disponível em http://rcbp.dglb.pt/pt/CatalogosOnline/Paginas/default.aspx (alguns links poderão estar desactualizados!).

Estranho como em pleno século XXI existem municípios que não disponibilizam o seu catálogo online (Lagos, Vila do Bispo, Alcoutim) !? Têm receio de mostrar o que têm !?

Por outro lado, existe a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, que pretende listar todas as bibliotecas nacionais. Imaginem que existia uma base de dados única que compilava informação de toda as bases de dados das bibliotecas locais. Eu queria saber quantos bibliotecas têm o “Guia de Portugal“, que foi o primeiro livro para o turista “vai para fora cá dentro”. E que bibliotecas municipais teriam esse livro ? Ou que Universidade de acesso livre o teriam !? Existe sim, desde 1986, a Porbase, mas esta só liga as bibliotecas das Universidades, e algumas poucas bibliotecas municipais.

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OK, a Biblioteca Nacional de Lisboa haveria de ter todos os livros em português que alguma se publicaram, mas eu não vou a Lisboa só para ter de encontrar um livro.

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Álvaro de Campos e Tavira

Álvaro de Campos e Tavira, ou a história de como dar forma física a alguém que nunca teve forma física, por necessidade e imaginação de perdurar a memória de uma cidade na relação com um dos maiores vultos da cultura nacional. Se Álvaro de Campos como engenheiro civil que dizem que era tivesse trabalhado em Tavira provavelmente muita coisa na cidade agora seria diferente 😀. Isto é só uma “private joke”. Adiante.

O que ando a ver por aí é mais Pessoa do que Álvaro de Campos, pelo menos no que toca à descrição que Pessoa fez dele e Almada Negreiros se inspirou para o esboço da figura na fachada da Faculdade de Letras.

Mas sim, se usássemos essa figura esboçada por Negreiros ninguém reconheceria Álvaro de Campos com o monóculo, cara rapada (no dizer do própria pessoa, a ausência de Bigode), e chapéu e a pasta como pelos vistos era o hábito dos engenheiros transportarem sempre consigo com as planos de obra. Ninguém reconheceria Álvaro de Campos, a não ser que ele se apresentasse como tal connosco, mas mesmo assim continuaríamos a duvidar. Podiam dar-lhe ao falar um sotaque de Tavira, na maneira “marafada” de falar, o que seria difícil de atingir, mas já imaginaram um engenheiro de monóculo e chapéu com pastinha a dizer “Mohhh…Já não há jête nenhû!”. Não ficaria bem. Por isso, ponham um Pessoa “marafado” a falar e as pessoas dirão: “Olha é o Fernando Pessoa com chapéu, bigode curto e óculos, mas ele tem sotaque algarvio, então deve ser o Álvaro de Campos!”. Como será declamar A Tabaqueira em algarvio “marafado”, de quem esconde a comida nas gavetas ?

Seria (e aqui vai…): !?

Nã sô nada. 
Nunca serè nada, deb. 
Nã posso querê ser nada (mah que raio porquê! que jêtos?) 
E à parte dissôh, tanho am mim todos as raios dos sonhos do mundo!

(ai, que me tá a faltar a estupeta, a maxama, e as ôvas de pôlvo!)

Por isso, no fim, e para fins artísticos, provavelmente não deverá haver Cânones para como deve ser Álvaro de Campos. Mas ao representarem Álvaro de Campos como Pessoa, é mais Pessoa que as pessoas se vão lembrar e menos “Álvaro de Campos” como Pessoa dizia que devia ser.