“As Ilhas Desconhecidas” de Raul Brandão

Raul Brandão, na senda da sua obra “Os Pescadores” relatando e colectando as vidas dos pescadores na Costa continental portuguesa, desloca-se aos Açores e continua com o seu estilo lírico a prosar sob a vida dos portugueses insulares. Esta é uma obra fundamental para conhecer os Açores. Apesar de escrito há quase cem anos com o conhecimento científico da época – Brandão mostra estar a par do debate de ideias do seu tempo e chega a evocar uma teoria que se assemelha à deriva dos Continentes que está na origem destes dois arquipélagos. Mas este é apenas um detalhe numa obra repleta de pormenores e sobretudo de cores. Brandão é um escritor pintor. Em todas as suas obras a sua prosa está repleta de pinceladas onde evoca a cor compondo a pintura de forma única a atmosfera das suas histórias e personagens.

Link do Goodreads: As Ilhas Desconhecidas de Raul Brandão
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A guarda varegue

Os imperadores de Constantinopla tiveram ao seu dispor durante um período uma guarda de mercenários constituída na sua maioria por escandinavos, conhecida por guarda varegue (ou “varengian guard”, em inglês). Eles foram decisivos no desfecho de batalhas durante quatro séculos desde o século IX até ao século XIII. Os elementos deste corpo especial de elite era sobretudo composto por homens que habituámo-nos a considerar por “vikings”. Um dos mais notórios membros dessa guarda foi o rei Harald Hardrada da Noruega, que na sua juventude, e para fugir a riscos à sua vida, se exilou na antiga Bizâncio tornando-se seu comandante com a idade de apenas 21 anos.

Hardrada foi um dos pretendentes à sucessão do rei anglo-saxão Edurado O Confessor e invadiu Inglaterra semanas antes da intervenção do duque Guilherme da Normandia em 1066. Foi derrotado e morto pelo rei anglo-saxão Haroldo II antes deste por sua vez ser derrotado por Guilherme em Hastings.

A mudança de casa reinante em Inglaterra teve consequências, porque a maior parte dos nobre anglo-saxões derrotados em Hastings exilou-se precisamente em Constantinopla para fugir à purga que o vitorioso Guilherme exerceu em Inglaterra após a sua vitória, substituindo a nobreza saxã pela normanda.

O resultado foi os escandinavos serem substituídos pelos saxões na guarda varegue em Constantinopla. Estes foram determinantes mais tarde quando os normandos da Sicília ameaçaram o Império Bizantino, derrotando o duque Roberto Guiscard em Dirraquim, na costa leste do Adriático.

Este corpo especial foi perdendo importância depois do saque de Constantinopla pela Quarta Cruzada em 1204, quando a cidade da encruzilhada dos continentes foi pilhada pelos cristãos ocidentais.

Aqui fica mais um vídeo com a qualidade que o canal do Youtube Kings and Generals nos habituou.

“The White Princess”

Mantenho o título no original porque parece que esta série britânica ainda não foi transmitida em Portugal. Relata a história de Isabel de Iorque (no original, Elizabeth of York), que tem de casar com Henrique Tudor (depois Henrique VII, não confundir com o filho Henrique VIII, o das seis esposas) , o vencedor da batalha de Borsworth Field, perto de Leicester – onde derrotou e matou o último rei da casa de York Ricardo III – para terminar com um longo feudo de trinta anos de guerras entre as casas de Lencastre e Iorque – a Guerra das Duas Rosas – pelo trono inglês. Uma donzela e um casamento dinástico como pacto político entre dissidentes de York e os sobreviventes seguidores dos Lencastre para trazer de volta a paz e a união à Inglaterra de fins do século XV, após a derrota na Guerra dos Cem Anos com a França. Elisabeth vai tentar contra a sua vontade não se deixar cercear pelo seu esposo o jovem Henrique Tudor mas a sua premissa inicial acaba por ser traída pelo amor que vai sentir pelo marido e filhos. Pelo meio, a mãe, a antiga rainha consorte Elizabeth Woodville, vai continuar a conspirar contra a filha e o novo genro servindo-se dos poucos fiéis à casa de York que ainda sobram.
Esta série de 2017 foi produzida por canal Starz como sequela à série The White Queen, já aqui abordada. A fidelidade para com a sua família do origem (os York) e a sua nova família que vai constituir, resultante dos filhos que vai gerar (os Tudor) e o amor que mais tarde desenvolver para com o rei deixa Elisabeth no conflito entre as duas casas que parecia não querer sossegar um país permanentemente em conflito durante todo o século XV.

O príncipio dos Ancestrais Idênticos – Video “São todos os europeus descendentes de Carlos Magno !?”

Esta pergunta vem no mesmo sentido de responder a uma dúvida levantada há anos num artigo de imprensa de que todos os portugueses seriam descendentes do nosso primeiro rei. Aqui a questão é respondida por um canadiano de Vancouver que fala o que afirma ser o “princípio dos ancestrais idênticos” proposto pelo matemático Joseph T. Chang da Universidade de Yale. Com base nos diagramas genealógicos que publica no seu site usefulcharts.com (passo a publicidade), ele cita alguns artigos deste matemático, chegando ao que chama de “princípio dos ancestrais idênticos”, e que se baseia em três premissas:

  1. O número de antepassados aumenta exponencialmente à medida que vamos recuando no passado
  2. Algum dos nossos antepassados tem um grau de parentesco com o seu cônjugue (o que faz com que a premissa anterior não se cumpra na sua plenitude). Isto é, descobrimos nos nossos “costados” uma pessoa que é a mesma que aparece noutro “ponto” da “árvore de antepassados”.
  3. Todas as pessoas do planeta estão ligadas entre si apenas por 6 “relações” (princípio dos 6 graus de separação). Isto é, para chegar até si, tenho um amigo de um amigo de outro amigo que é amigo de outra pessoa que tem um amigo que esse sim é seu amigo. Algo que está demonstrado pelas redes sociais.

O número de antepassados estimado tendo em conta as premissas anteriores, e recuando tempo suficiente, será sempre superior ao total da população humana do planeta para essa época. Daí que podemos muito bem sermos descendentes, nós os Europeus, do imperador franco Carlos Magno. Temos a certeza que ele era antepassado de Afonso Henriques.

Vídeo abaixo (em inglês) com os links na descrição para as publicações científicas que sustentam a hipótese.

The White Queen

Esta série produzida pela BBC em colaboração com o canal Starz, relata a história de 3 damas no período da História de Inglaterra conhecido como “Guerra das Rosas“. Composto por uma temporada em dez episódios, condensa três livros da autora Philippa Gregory : “A Rainha Branca”, “A Rainha Vermelha” e a “Filha do Fazedor do Reis” (king-maker), Richard Neville, conde de Warwick – e que correspondem às personagens históricas Elizabeth Woodville Rivers, Margaret Beaufort Tudor e Ana Neville . Todas as três foram rainhas consorte de Inglaterra , tratando-se de uma história contada pela perspectiva do sexo feminino. São poucas as imagens de recriação de batalhas, centrando-se a acção no romance, casamento, família e intrigas palacianas. Elizabeth Woodville casa-se secretamente com o rei Eduardo IV de Iorque, enquanto Margaret Beaufort é mãe do futuro rei Henrique VII, e fundador da dinastia Tudor, e Anna Neville a esposa do malogrado Ricardo de Iorque, irmão mais novo de Eduardo, depois rei como Ricardo III.

Pelo meio, um pouca de fantasia, com magia negra, com Elizabeth Woodville, pelo facto de ser filha de Jacqueline do Luxemburgo, cuja casa afirma ter origens lendárias na “fada” Melusina, uma criatura fantástica semelhante à “mãe de Grendel” que aparece na epopeia de Beowulf (história que por sua vez tem semelhanças à lenda ibérica medieval da “Dama Pé-de-Cabra“).

Para a história da Guerra das Rosas ficam os capítulos finais com o assassinato dos príncipes da torre que levou à tomada do trono por Ricardo III e a tragédia final da sua derrota e morte na Batalha de Bornsworth, uma história que só seria concluída 520 anos mais tarde, com a descoberta do corpo do último rei da casa de Iorque num parque de estacionamento perto de Leicester, e que levou à sua morada final, em enterro real, na Catedral de Leicester.

Fonte: The White Queen Wiki | FANDOM powered by Wikia

Porque é o tempo “passa” mais depressa à medida que envelhecemos !?

É subjectivo estar dizer isto, pois claro, cada um tem um cérebro diferente dos outros, mas nos aspectos essenciais o modo básico de funcionamento de cérebro é idêntico em toda a gente. Se os impulsos visuais provenientes dos sensores ópticos da retina formarem menos imagens à medida que vamos envelhecendo, parece plausível assumir que o tempo passará cada vez mais depressa. O exemplo da retina não é aplicável para invisuais, mas penso que o mesmo se aplica a todos os restantes “sensores” do nosso corpo: poderá não ser as células  sensoriais que são estimuladas por factores externos como os cones e bastonetes da retina, os sensores da bigorna e estribo do ouvido médio, os receptores de todo o tipo (toque, calor) presentes na pele, as papilas gustativas na língua, os receptores olfactivos. Todo a imagem do nosso mundo é dada de uma forma integrada no nosso cérebro proveniente de pontos de recolha de informação que são as nossas células sensoriais. Se elas começarem a registar menos informação por unidade de tempo, logicamente o “tempo subjectivo” irá acelerar. À medida de que envelhecemos, este “tempo subjectivo” será percepcionado da mesma forma como deixar-nos levar pelo nosso pelo  ao descer a encosta de uma montanha, ou levar pela corrente de um curso de água. Mais e mais acelerado será à medida que aproximamos do fim. É o que acredita o professor romeno Adrian Bejan da Universidade de Duke, de acordo com um artigo publicado no jornal científico European Review, e revisto neste artigo site de notícias de ciência quartz.com (em inglês) .

Physics explains why time passes faster as you age

O artigo original está publicado online aqui.