O kaizer Frederico III – imperador por 99 dias

O imperador alemão ou kaizer Frederico III, pai de Guilherme II, esteve por pouco tempo (99 dias) no trono durante o ano de 1884, mas teria a historia sido diferente se ele tivesse mais tempo no trono !? A sua educação diversificada, além de se ter casado com Vitória Luísa, filha mais velha da rainha Vitória de Inglaterra, poderia ter transformado o velho regime prussiano-alemão de conservador numa nação mais aberta ao livre pensamento, com um parlamento e um governo mais moderado. Em vez, o velho regime, imbuído de um tendência militarizante por toda a sociedade desde os tempo do velho reino da Prússia até a sua transformação em Império Alemão, seguiu por uma via que o levou a estar como potência invasora nas duas guerras mundiais no século que se seguiu.

É mais um vídeo do canal Kings and Generals (em inglês), sobre a vida do kaizer Frederico III.

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“Em nome d’El Rey” – Luís Barriga

Em Nome D' El ReyEm Nome D’ El Rey de Luís Barriga

Classificação: 5 em 5

Luís Barriga transporta-nos para a Era de Ouro da história nacional, para resgatar dos longínquos rios do esquecimento a figura histórica com o qual partilha o apelido. A par da história do cavaleiro cujo nome se tornou sinónimo de “matador de mouros”, o autor vai-nos pondo a par e passo com os momentos da História que foram decorrendo enquanto se desenrolava a vida do seu personagem principal, integrando-o no devido contexto. A preocupação em ser fiel aos documentos históricos que comprovam a vida e feitos do seu personagem e seus contemporâneos não impediu o autor de ter alcançado o seu objectivo a que se propunha. É um bom livro e roteiro para as aventuras da expansão portuguesa no Algarve de além-mar.
Numa frase: Valeu a pena.

Outras opiniões de leituras concluídas no GoodReads

Jerónimo Corte-Real no Dia do Juízo Final

A tela de Jerónimo Corte-Real, dando sinais evidentes de necessitar de restauro.

A tela “São Miguel e as Suas Almas” está exposta na Igreja de Santo Antão em Évora. Corresponderá a um trabalho relativo à fase final da vida do poeta, escritor e cronista Jerónimo Corte-Real , e pelos vistos também pintor, ao estilo dos grandes espíritos do renascimento.

Jerónimo era irmão de Bernardo Corte-Real, o último alcaide de Tavira da mesma família de Vasco Anes da Costa, o primeiro Corte-Real, que foi o primeiro alcaide tavirense dentro desta família e era filho de outro Vasco Anes neto do primeiro, que também foi alcaide. Terá nascido na Ilha Terceira, como os irmãos, ou em Lisboa, segundo outras fontes. Tal como eles, teve acesso a uma educação bastante diversificada, e a sua obra aproxima-se muito da obra de Luís de Camões, apesar de Jerónimo ser dez anos mais jovem e ter sobrevivido no Portugal já dominado pelos Felipes. Em criança, poderá ter tido contacto a título póstumo com a tragédia dos tios Gaspar e Miguel, que se perderam no mar em viagens de reconhecimento do novo mundo.

A epopeia, mas também a tragédia, estão presentes na obra de Corte-Real, nomeadamente a sua versão pessoal da tragédia quinhentista d‘O Naufrágio do Sepúlveda, mais conhecido por ser o episódio que inicia a súmula de tragédias marítimas compilada no século XVIII conhecido por História Trágico-Marítima e recontada por vários autores portugueses, sendo o primeiro de entre eles Jerónimo Corte-Real.

Terá participado na batalha de Alcácer Quibir, de onde foi resgatado, radicando-se em Évora, no morgado do Vale do Palma, que ele próprio terá instituído. É dele talvez a mais notável obra visual patente na Igreja de Santo Antão, situada no centro de Évora – a praça do Giraldo – a tela a que fizémos referência.

Pensa-se que a obra foi concebida no período final da sua vida, quando vivia em Évora, num Portugal que havia perdido a sua independência, a iniciar o princípio da passagem no purgatório do qual iria sair apenas em 1640.

Tendo em conta esse facto histórico, mais o de ter participado na batalha fatal, estaremos perante uma obra em que Jerónimo terá tentado, através da sua criação, expiar os seus pecados e talvez os da própria nação, visto o jugo castelhano ser visto como um castigo da Justiça Divina por século e meio de explorações e ambições nem sempre frutíferos por meio mundo de África à China.

O quadro transporta-nos evidentemente para uma cena tirada do Apocalipse, em que o arcanjo São Miguel lidera os exércitos do Céu contra os adoradores da besta e do falso proveta (o “dragão”, ou a serpente, Satã). No topo da tela está o arcanjo. Segura uma pena, sinal de que se irá proceder ao julgamento das almas. Lá em baixo, e mais próximo dos espectadores desta obra imagética, vários humanos, de ambos os sexos, nus aparecem na parte dianteira da tela, envoltos em chamas. A proximidade dessas figuras com o espectador dá a impressão de “querer sair da tela”, ou de que pertence a este grupo. Com a mão direita, o arcanjo Miguel preside a toda a cena e aponta na direcção de uma dos seus membros alados, quiçá, o Céu !? Entre elas, algumas envergam coroas, outros mitras e um mesmo a tiara papal – referências ao “falso profeta” do Apocalipse escrita pelo apóstolo João em Patmos !? Essas almas “condenadas” que estão no centro da chama (o “Inferno”) não parecem estar cientes da chamada do anjo para o seu julgamento. Apenas as almas lá do fundo, na realidade, no “meio do quadro”, de acordo com o efeito das perspectiva, parecem cientes da presença do anjo e erguem os braços em gestos de súplica. As cabeças coroadas nem parecem estar cientes da presença do anjo e da chegada do fim dos tempos.

Para os portugueses, a estadia no purgatório irá ser longa. Serão sessenta anos de cativeiro com os Felipes Habsburgos como nossos carcereiros. Apenas no 1º de Dezembro de 1640 teríamos expiado todos os nossos pecados e foram abertas as portas do purgatório aos portugueses, finalmente livres para poderem se mostrarem ao mundo sob o comando de um rei português !

A obra poética Auto dos Quatro Novíssimos do Homem deverá remontar à mesma época da concepção da tela e nela Jerónimo Corte-Real indaga em quatro autos num total de pouco mais de 20 páginas: – 1. O que é a Morte ? 2. O que é o juízo ? 3. O que é o inferno ? 4. O que é o paraíso?

A Capela do Morgado do Esporão

No interior da Catedral da Sé de Évora uma das mais ricas e adornadas capelas laterais, mesmo próximo do Evangelho, é a capela devotada ao antiquíssimo morgado do Esporão, situado no concelho de Reguengos de Monsaraz e que dá a marca aos afamados vinhos Monte Velho ou a Torre, entre outros. Passo a publicidade, o morgado foi constituído em Maio de 1267, em pleno reinado de Afonso III, a favor de Soeiro Rodrigues, juíz de Évora, segundo uns, ou a João de Aboim, cavaleiro de Afonso III e representante do rei português que negociou a cedência do Algarve a Portugal, segundo outros.

De acordo com as Ordenações Filipinas, todo o morgado tinha, na sua instituição de ter uma capela vinculada com a propriedade rústica que poderia ficar dentro da própria propriedade ou então numa capela interior de uma igreja não muito longe do morgado.

A Capela do morgado do Esporão foi então ordenada construir por Álvaro Mendes de Vasconcelos, regedor de Évora, após o seu casamento com a detentora do morgado, Leonor Ribeiro da Fonseca, que também edificou a Torre Senhorial que é usada como logo da marca e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, no interior do morgado. Álvaro Mendes foi um personagem importante na corte de João III, pois foi embaixador de Portugal junto da corte do sacro imperador romano Carlos V. Nessa ocasião o embaixador português requereu na Holanda um políptico (que consiste num conjunto de telas) retratando os diferentes episódios da Paixão de Cristo. No entanto, o políptico foi levado em 1915 para o Museu de Évora, por razões de conservação, onde ainda ainda se mantém, sendo substituído por uma tela intitulada Descida da Cruz, da autoria do pintor do séc. XVII, o eborense Pedro Nunes (não confundir com o matemático do mesmo nome do séc. XVI).

Ermida situada junto da torre no interior da herdade, datada do séc. XVI
Torre do Esporão (foto de 2017, após obras de restauro em 2002)

Os segredos ocultos dos Almendres

É bem conhecido que muitas estruturas megalíticas como menires, dólmenes, antas ou outros remontam a um passado muito remoto, onde a capacidade de talhar pedra abriu um conjunto de novas possibilidades como a evidenciada por estes monumentos onde só podemos tentar fazer conjecturas sob o propósito destas estruturas, porque a invenção da escrita ainda estaria muitos milénios para ser concretizada, no futuro. No caso dos “círculos de pedras” conhecidos coloquialmente por cromeleques (da palavra galesa cromelech – por acaso, é nas Ilhas Britânicas onde se encontra a maior concentração mundial deles) muitos destas estruturas eram identificadas como primitivos templos, onde os humanos daqueles eras, tendo já um conhecimento das relações dos astros com o decorrer do ano, sabiam identificar a altura do ano de acordo com a posição do nascer (ou ocaso) do sol no horizonte.

Vista dos Cromeleque com a Serra da Ossa ao fundo na direcção este-noroeste


Uma determinada linha de menires daria um determinada específica data do ano, necessária para se proceder a um acto no ciclo anual das colheitas como a sementeira, a colheita, etc.
É precisamente isto o que acontece em Stonehenge, em que o nascer do sol no Solstício do Inverno – o início de um novo ano, ocorre precisamente na direcção de um menir específico conhecido por Heel Stone situado fora do círculo principal, e que alinha por uma abertura entre menires do complexo principal – ou ainda NewGrange, na Irlanda, em que a entrada do monumento tem um corredor em que só é iluminado precisamente no Solstício do Inverno.

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A nação templária de “Port du Graal”

Tive oportunidade de ver finalmente um documentário do Canal História relativamente às ligações histórias da Ordem Templária com o Reino de Portugal. Realmente da minha parte como português eu sinto-me muito feliz em ver o Canal História a dedicar um episódio inteiro à nossa nação. O problema é, que como ja é por demais sabido, o Canal História não prima pelo rigor histórico, mas pelo sensacionalismo. E as sensações, ou melhor, as gralhas patentes neste episódio são demasiado gritantes para qualquer pessoa minimamente versada na História da nossa nação não as conseguir detectar logo no princípio.

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A guerra dos “cavalos celestes”

Quem nunca pensou que as culturas grega e chinesa nunca se tinham encontrado, pense novamente… No tempo da dinastia Han, um enviado do imperador chinês em busca de um aliado na luta contra os bárbaros : acabou por encontrar o reino greco-bactriano com cavalos prodigiosos para o conhecimento dos chineses : foi o suficiente para suscitar a cobiça dos chineses que fizeram guerra aos gregos só para terem acesso aos prodigiosos cavalos. O vídeo está em inglês e é mais um vídeo do canal Kings and Generals.

100 anos antes de Colombo…

O que é paradoxal nas viagens de Zheng He, além da desproporção dos meios em termos de logística, é que elas não se destinaram a estabelecer qualquer colonização, apenas troca de contactos, relações comerciais e visitas de representantes dos países das regiões visitadas à China. Digamos que Zheng He foi um bom promotor turístico das maravilhas da China por todo o Oceano Índico, enquanto a Europa lentamente ainda mal se iniciavam os primeiros passos das viagens marítimas… (vídeo em Inglês)

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