O Desastre de Tânger (1437)

A ePainel dos Cavaleirospopeia portuguesa das Descobertas não conheceu apenas episódios maravilhosos e com finais gloriosos a favor dos portugueses. Um dos episódios que passou á história como dos maiores fiascos das pretensões portuguesas em conquistar o Alengarve (O Al Gharb de África – Marrocos) foi a malograda expedição de conquistar a poderosa cidade de Tânger em 1437, liderada pessoalmente desde o princípio pelo Infante D. Henrique. Acabou mal a história ainda antes de começar, e põe em causa a imagem criada pela propaganda do Estado Novo  como o Infante D. Henrique como sendo o único e grande mentor pela nossa “Gesta marítima” dos Descobrimentos. Ideia essa que ainda sobreviveu umas boas décadas após o 25 de Abril e só foi revista nos manuais de História recentemente.

Encontrei um artigo na Wikipédia em inglês bastante completo sobre os eventos de Tânger em 1437, que contam a história real em redor da personalidade ávida do Infante e duque de Viseu, na base de uma mentalidade feudo-medieval sedenta de conquistas, terras e cruzadas.

Não cedi à tentação de traduzir o artigo na sua completude para o idioma de Camões. Não sendo historiador de formação, deixo aqui o link para a minha colaboração pessoal, que relata a verdadeira história por detrás da lenda do Infante Santo. Espero que a minha tradução não deixe gente de boca aberta por algumas gralhas gritantes que surjam na tradução.

Links:

 

 

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Os Espiões em Portugal na segunda guerra

Irene Pimentel, historiadora que estudou as redes de espionagem na segunda guerra mundial, e a relação delas com a nossa PIDE. Alguns pormenores como a estratégia de Salazar para com as potências beligerantes são também reveladas. Espiões de renome internacional como Garbo passaram por cá. Todos referem que o Casino Estoril era local de encontro desta gente.

  1. Episódio 1 na Quinta Essência da Antena 2
  2. Episódio 2

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Terminei de ler “1189: Último Massacre” de Nuno Campos Inácio 

1189: Último Massacre1189: Último Massacre por Nuno Campos Inácio

Avaliação no Goodreads: 5 of 5 stars

É-me um bocado complicado em poucas palavras falar deste romance histórico. Numa frase, a trama essencial é a visita de um monge cristão escandinavo guiado por um agricultor judeu habitante em Silves para poder traçar um mapa das regiões a conquistar pelo exército cristão da 3ª Cruzada que pára em costas algarvias ao serviço do rei português para conquistar o Barlavento Algarvio. Ao longo de 250 páginas, Nuno Campos Inácio descreve a costa algarvia sul de Sagres a Faro. A riqueza de detalhes é o resultado de uma extensiva pesquisa bibliográfica de que o número de entradas na bibliografia faz caso. Apesar do rigor de querer mostrar os termos usados na arte militar da época em todos os lados, obviamente não posso deixar de lado a crítica imanente ao Cristianismo. Sendo agnóstico e laico, não reajo de forma emotiva às ideias propaladas no livro que já serão do conhecimento geral porque o livro de Dan Brown “O Código Da Vinci” faz alusão à história da relação de Jesus com Maria Madalena que por sua vez é referido no Evangelho apócrifo de Filipe, o autor segue a mesma ideia e desenvolve-a, pondo de lado discussões sobre as bifurcações que o Cristianismo primitivo teve e o seu enquadramento nos acontecimentos da época. Achei no entanto deliciosa a ideia do primitivo povo cúnio, anterior à conquista romana, ainda subsistir quais “índios” no meio dos mouros.
De qualquer forma, o livro não vale pelo título que ostenta, pois o massacre é descrito apenas nos últimos capítulos. Todo o livro devia chamar-se era “Viagem pelo Al-gharb, na perspectiva de um cristão”.
Não entendi a intenção das ideias do autor do prefácio e de que maneira o mesmo se encaixa com o enredo sob uma possível luta milenar entre adoradores do sol e da lua. Pareceu-me solto do enredo.
Dar uma visão de todo e contar todos os pormenores e detalhes de uma época dá muito trabalho, é por isso que o género de “romance histórico” é difícil. O autor tem a sua liberdade criativa bastante mais restringida, porque no fundo o que ele faz, como se fosse um pintor, é acrescentar uns pormenores aqui e ali quando a maior parte da moldura e da ideia da época já são mais que definidos. Assim, o autor e por consequência o narrador vai ter de dar muita informação a respeito de todos os detalhes “já definidos”.
De qualquer forma, no global, gostei, só tive pena que o ponto mais leste que a viagem do monge nórdico tivesse terminado por Al-Harum (Faro) e não tivesse chegado cá para os meus lados, eu que sou de Tavira :).

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O milagre da Fonte da Gomeira

 

No século XV, e após a conquista de Ceuta, o rei Afonso V dirige as suas atenções sobre o norte de África no sentido de consolidar a presença portuguesa no Além mar representado por Marrocos. Tavira é das cidades mais importantes para o esforço de guerra do rei africano. Entre outras famílias nobres que se destacaram neste tempo, como os Corte-Real, surge a família dos Franca, navegadores e comandantes militares

Nossa Senhora A Franca

A Senhora da Franca, padroeira da família Franca

estabelecidos nas Terras da Ordem de Santiago, correspondente actualmente à freguesia da Conceição de Tavira. No seu esforço para conseguir melhorar a produtividade das suas terras, Diogo Lopes da Franca, juiz-mor da Alfândega de Tavira, faz um acordo secreto com um mercador mouro para melhorar a infraestrutura de regadio das suas terras. Pelo meio e antes de conseguir o seu intuito, vai ter de lutar, em conjunto com a sua amada Genoveva Pessanha, contra conspirações e contra uma maldição divina que insiste em não largar a sua família.

Multi-pesquisa nas Bibliotecas do Algarve

Imaginem que existia uma base de dados única que congregava todos os registos individuais de todas as bibliotecas públicas do país, fossem municipais, escolares ou universitárias. Obviamente que estaria mais interessado em pesquisar nas bibliotecas do meu concelho, mas uma visita à biblioteca municipal de um concelho não muito afastado do meu para consultar um livro para o qual já não tem novas edições iria fazer uma grande diferença para uma pesquisa em que estivesse envolvido. Seria possível uma coisa dessas no nosso país se existisse a vontade política e o interesse dos nossos autarcas em atingir um tal objectivo. Simplificar-se-ia imenso o processo de encontrar livros já há muito esquecidos. Poderia haver um intercâmbio entre as bibliotecas municipais no sentido de partilharem livros ou comparar estatísticas a nível nacional sobre quais seriam os livros mais requisitados e que poderia haver um interesse de compra ou nova edição.

Algo que sinto necessidade quando faço pesquisa bibliográfica é saber que recursos tenho ao dispor na região onde resido. Nomeadamente as bibliotecas pública disponibilizadas pelos municípios e pela Universidade da região. Se bem que nalguns casos o empréstimo seja restrito, existe sempre a possibilidade de consulta no lugar. Assim, o que costumo fazer é pesquisar nas bibliotecas do meu concelho e outros pela existência de certo livro no inventário. O processo é chato porque tenho que repetir a mesma pesquisa em 11 sites dos catálogos online das bibliotecas do Algarve (existem 4 concelhos que não têm catálogo online).
Para agilizar o processo, criei um site de pesquisa, ou melhor multi-pesquisa que acede automaticamente ao catálogo on-line de seis (Tavira, Faro, Castro Marim, São Brás de Alportel, Portimão e Lagoa). Disponibilizo aqui a toda a gente que estiver interessada o endereço do site. Não foi possível acrescentar a consulta de outros cinco catálogos do Algarve porque o método que uso para fazer a busca não permite que a pesquisa seja feito acedendo directamente via o URL da pesquisa do catálogo a partir de um site remoto.

http://biblioalgarve.digfish.org/

Émile du Châtelet (1706-1749)

Patrona das ciências e companheira de Voltaire e sua musa, pela qual o sábio iluminista francês manteve uma relação platónica. Traduziu os Principia Mathematica de Newton para francês com os seus próprios comentários. Para além de ter publicado as suas próprias obras sobre Física do Movimento provando de forma independente de Newton e Leibniz a lei da Energia Cinética em que a energia despendida é proporcional ao quadrado da velocidade (E=1/2mv²), ao contrário de muitos contemporâneas, de que seria simplesmente proporcional à velocidade. Publicou um tratado (Dissertation sur la nature et la propagation du feu) sobre a luz em que previu a existência da radiação infravermelha. Outra obra sua (Institutions de physique) resumiu o conhecimento obtido sobre a Física do movimento de corpos (Leis do Movimento de Newton, Cinemática e Mecânica Geral).

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Graças à sua condição social (ter casado com o Marquês de Châtelet) teve acesso à corte real francesa e correspondeu-se com alguns nomes bem conhecidos do seu tempo. Encontrou em Voltaire a sua alma gémea, mas a sua relação nunca passou além do platónico.
Será, juntamente com Marie Curie ou Hipátia, uma das mulheres mais influentes nas Ciências.Morreu com 42 anos, meses após complicações de um parto resultado de uma relação livre com o poeta Jean-François de Saint-Lambert .

Dela Mais tarde Voltaire diria que foi “um grande homem que teve o único defeito de ter sido mulher”.

 

Salazar. A história e os detalhes do atentado à bomba de 1937 de que o ditador escapou – Observador

Era domingo, dia 4 de julho de 1937. António de Oliveira Salazar chegava à capela onde iria assistir à missa, na Rua Barbosa du Bocage, em Lisboa. Foi nesse momento que explodiu a bomba que provocou muitos estragos mas que não atingiu o Presidente do Conselho. Ainda que falhado, foi o mais sério atentado à vida do governante português. E o novo livro do historiador António Araújo (que chega às livrarias a 10 de Novembro) conta a história, os detalhes, os envolvidos, as investigações e as consequências desta explosão. O Observador faz a pré-publicação de um excerto.


Origem: Salazar. A história e os detalhes do atentado à bomba de 1937 de que o ditador escapou – Observador

Podcast na Antena 2 (Quinta Essência)