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A notícia da Restauração no Algarve (1640-41)

 

O Golpe de estado palaciano que teve lugar no Paço da Ribeira, situado no antigo Terreiro do Paço de Lisboa, e que é ainda hoje citado como o acontecimento mais épico do movimento da manhã do 1º de Dezembro de 1640, teve repercussão imediata na populaça de toda a cidade de Lisboa, que saiu às ruas a festejar o regresso de um rei português à cena europeia e a tomada do destino pelas suas próprias rédeas de um português ao seu reino e ao seu povo.
O espalhar da notícia foi rápido, mas à velocidade de como as coisas se faziam naquele tempo. Veríssimo Serrão narra que no Algarve a notícia terá chegado apenas a 6 de Dezembro a Lagos numa carta ao Governador do Algarve, então o ancião Henrique Correia da Silva, sobrevivente de Alcácer Quibir e antigo alcaide de Tavira. Apesar de anos ao serviço dos Filipes à coroa portuguesa, não teve dúvidas em proclamar a independência após celebrar a missa no dia 8 de Dezembro, e ainda antes disso, despachar correios para entregarem a notícia em carta a todos os alcaides e capitães-mores das restantes praças-fortes algarvias. Imediatamente reuniu um pequeno exército de 2000 homens, e á frente dele, deslocou-se de Lagos a caminho de Castro Marim de forma a garantir daquela que haveria de ser o ponto mais que provável de uma invasão. Curiosamente, nada é referido a respeito da defesa de Alcoutim, da qual os condes de Vila Real (de Trás os Montes) – e mais  tarde participantes numa intentona para restabelecer Felipe IV no trono português – eram também senhores.

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Assinatura de Henrique Correia da Silva, governador do Algarve e alcaide mor de Tavira

Conta-se que o Marquês de Ayamonte, primo do duque de Medina Sidónia, o nobre mais poderoso da Andaluzia e por coincidência cunhado do novo rei João IV, mandou um correio perguntar ao governador se precisava de alguma ajuda na resistência no caso de uma investida castelhana em terras algarvias. Isto porque ele e o primo tinham estado na pacificação das revoltas populares no Algarve e no Alentejo três anos antes, quando o próprio governador do Algarve, o ancião Henrique Correia da Silva, sobrevivente de Alcácer Quibir, que acabaria por ser ele próprio a proclamar a independência havia sido nomeado. Um mês depois viria a ser substituída por Vasco de Mascarenhas, conde de Óbidos. Em troca pela sua fidelidade à coroa portuguesa, Henrique Correia da Silva, foi agraciado com o cargo de vedor da fazenda, acabando por falecer em 1644, já octagenário.

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Gaspar de Guzmán el Bueno, duque de Medina Sidónia

No ano seguinte, ele próprio e o primeiro tentaram emular os portugueses com uma revolução independentista que levaria o duque de Medina Sidónia Gaspar de Guzmán a ser rei da Andaluzia. No entanto, a intentona foi descoberta, Gaspar de Guzmán arrependeu-se e foi perdoado por Felipe IV mas a mesma sorte não teve o primo marquês de Ayamonte, Francisco Zuñiga que acabou por ser executado em 1644.

O que é um facto é que Felipe IV foi apanhado completamente de surpresa, pois todos os seus olhos estavam voltados para a Guerra na Europa com França e a Revolta da Catalunha. Os conjurados souberam muito bem tirar partido dessas circunstâncias. Não seria senão em 1642 que o Algarve viria a ser alvo de uma investida castelhana, da qual no entanto não temos documentação que a permita expôr a fundo. Não terá passado de uma troca de salvas de canhão entre as praças fronteiriças de Sanlúcar e Alcoutim, hoje em dia mais preocupadas em querer construir uma ponte que as una.

Portugal naquela altura não se resumia ao território continental, a notícia chegou só no ano seguinte aos Açores, em que o governador castelhano do forte de São João em Angra resistiu a reconhecer a independência.

Na Madeira as coisas foram mais pacíficas e os soldados castelhanos não resistiram à proclamação da independência. Para sul, nas costas africana e brasileira, as coisas foram diferentes, mas a notícia chegou com dois a três meses de atraso, numa altura em que os inimigos no terreno eram os holandeses, e não os castelhanos.
De relatar que a praça-fortes de Ceuta e Tânger, que dependiam do Algarve para abastecimento de comida, soldados e armas, não reconheceram a Independência Portuguesa. No primeiro caso, nunca mais voltou a ostentar a bandeira portuguesa e no segundo caso, apenas em 1644 foi aclamado o rei de Portugal, depois de uma tentativa dos castelhanos de impedirem tal facto, na qual estariam implicados os filhos do adail (governador) português (com raízes em Tavira) André Dias da Franca, que os mandou prender e enviar para Lisboa e serem julgados.

1640 seria apenas o princípio de longos 28 anos de guerra para que Castela finalmente reconhecesse o direito dos portugueses terem o seu próprio rei.

No Algarve foram criadas linhas de defesa como trincheiras, a chamada ao recrutamento geral (para as então chamadas “Companhias de Ordenanças”) para a defesa das praças fronteiriças, e reforçados castelos e erigidas fortalezas para travar uma potencial invasão, fosse ela por terra ou mar.

Felizmente para o Algarve, a maior parte das batalhas da longa guerra travaram-se entre o Alentejo e Extremadura espanhola, na qual no entanto diversos terços (o nome dado às unidades básica do exército naquela) de ordenanças algarvios foram chamados a prestar serviço na guarnição de fortes na Raia e em vários batalhas.

 

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A Tomada do Paço da Ribeira no 1 de Dezembro de 1640

 

( tal como descrita na História de Portugal de Veríssimo Serrão pp. 18 do Vol. V)

Pouco antes das 9 horas, os conjurados e seus aderentes, em número de 120 pessoas, dirigiram-se ao Paço da Ribeira, guardado por duas companhias de soldados castelhanos e tudescos, e investiram pelos vários salões, enquanto o Padre Gonçalo da Costa disparava vários tiros para anunciar a revolta e fazer afluir a multidão ao Terreiro do Paço. Escondido num armário, o secretário Miguel de Vasconcelos foi abatido a tiro e o seu corpo, ainda com sinais  devida, lançado para a rua, onde o povo deu largas ao ódio que lhe votava como fiel servidor de Castela.  Margarida (de Sabóia, vice-rainha, duquesa de Mântua, e prima do deposto Felipe IV) quis impor-se aos amotinados, mas logo compreendeu que era inútil o apoio à fidelidade, pelo que foi mandada recolher nos seus aposentos. O venerando D. Miguel de Almeida (Conde de Abrantes e sobrevivente de Alcácer Quibir), do alto do balcão principal, proclamou a liberdade da Pátria e a realeza do duque de Bragança como D. João IV. No mesmo dia fez-se o cerco ao Castelo de S.Jorge, cuja guarnição se entregou, e neutralizaram-se os galeões espanhóis surtos no Tejo, começando também o ataque às fortalezas da barra que se renderam nos dias imediatos.

Sem o que viver da população fosse alterado, pois o comércio manteve-se  aberto e não houve, pois o comércio manteve-se aberto e não houve qualquer saque nem violência  contra as pessoas dos castelhanos, Lisboa acabara de assistir a uma revolução em que muitos viam o dedo da providência: «estão as cousas desta cidade em estado que suspendem o juízo humano».

Ou, como referia outra testemunha alguns dia mais tarde: «as cousas estão tam quietas e postas em sossego, que parece cousa isto do Ceo». A acção deveu-se a um grupo de fidalgos, de que não se torna possível registar as biografias, mas em que o principal comando parece ter estado nas mãos de D. Miguel de Almeida, conde de Abrantes, de Jorge de Melo, irmão do monteiro-mor, de D. Antão de Almada, que veio a ser o primeiro embaixador em Inglaterra e de João Pinto Ribeiro, agente do duque de Bragança. Após eles veio um grupo de nobres, quase todos filhos segundos, como D. João da Costa, D. Gastão Coutinho, João Saldanha da Gama, Manuel de Melo, D. António Luís e Fernão Teles de Meneses, D. António de Mascarenhas e outros. A par da conjura estavam vários religiosos ,como  o arcebispo de Lisboa e os padres Nicolau da Maia e Bernardo da Costa, a quem cabia levantar a população.”

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Algarve, 50,70,100 anos, sei lá onde….

Custos provocados pela seca disparam

O efeito de estufa é a falta de chuva faz baixar os níveis de água nas barragens, o que diminui a produção hidroeléctrica, o que vai aumentar a necessidade de produção de energia eléctrica através de métodos mais antiquados, com o recurso a centrais baseadas em combustíveis fósseis, contribuíndo para o aumento do próprio efeito de estufa! Chama-se a isto retroalimentação, feedback positivo ou que o próprio efeito potencia a causa!

https://www.rtp.pt/noticias/pais/custos-provocados-pela-seca-disparam_n1041814

Catálogos das Bibliotecas Municipais do Algarve

 

Este é um post que uso de referência bastante para mim próprio, quando quero pesquisar determinado livro e saber se está presente nalguma biblioteca da região. Os links vão directamente para as páginas onde estão os formulários sem ter que passar pelas páginas de apresentação.

Compilação de links de catálogos de bibliotecas municipais disponível em http://rcbp.dglb.pt/pt/CatalogosOnline/Paginas/default.aspx (alguns links poderão estar desactualizados!).

Estranho como em pleno século XXI existem municípios que não disponibilizam o seu catálogo online (Lagos, Vila do Bispo, Alcoutim) !? Têm receio de mostrar o que têm !?

Por outro lado, existe a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, que pretende listar todas as bibliotecas nacionais. Imaginem que existia uma base de dados única que compilava informação de toda as bases de dados das bibliotecas locais. Eu queria saber quantos bibliotecas têm o “Guia de Portugal“, que foi o primeiro livro para o turista “vai para fora cá dentro”. E que bibliotecas municipais teriam esse livro ? Ou que Universidade de acesso livre o teriam !? Existe sim, desde 1986, a Porbase, mas esta só liga as bibliotecas das Universidades, e algumas poucas bibliotecas municipais.

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OK, a Biblioteca Nacional de Lisboa haveria de ter todos os livros em português que alguma se publicaram, mas eu não vou a Lisboa só para ter de encontrar um livro.

Álvaro de Campos e Tavira

Álvaro de Campos e Tavira, ou a história de como dar forma física a alguém que nunca teve forma física, por necessidade e imaginação de perdurar a memória de uma cidade na relação com um dos maiores vultos da cultura nacional. Se Álvaro de Campos como engenheiro civil que dizem que era tivesse trabalhado em Tavira provavelmente muita coisa na cidade agora seria diferente 😀. Isto é só uma “private joke”. Adiante.

O que ando a ver por aí é mais Pessoa do que Álvaro de Campos, pelo menos no que toca à descrição que Pessoa fez dele e Almada Negreiros se inspirou para o esboço da figura na fachada da Faculdade de Letras.

Mas sim, se usássemos essa figura esboçada por Negreiros ninguém reconheceria Álvaro de Campos com o monóculo, cara rapada (no dizer do própria pessoa, a ausência de Bigode), e chapéu e a pasta como pelos vistos era o hábito dos engenheiros transportarem sempre consigo com as planos de obra. Ninguém reconheceria Álvaro de Campos, a não ser que ele se apresentasse como tal connosco, mas mesmo assim continuaríamos a duvidar. Podiam dar-lhe ao falar um sotaque de Tavira, na maneira “marafada” de falar, o que seria difícil de atingir, mas já imaginaram um engenheiro de monóculo e chapéu com pastinha a dizer “Mohhh…Já não há jête nenhû!”. Não ficaria bem. Por isso, ponham um Pessoa “marafado” a falar e as pessoas dirão: “Olha é o Fernando Pessoa com chapéu, bigode curto e óculos, mas ele tem sotaque algarvio, então deve ser o Álvaro de Campos!”. Como será declamar A Tabaqueira em algarvio “marafado”, de quem esconde a comida nas gavetas ?

Seria (e aqui vai…): !?

Nã sô nada. 
Nunca serè nada, deb. 
Nã posso querê ser nada (mah que raio porquê! que jêtos?) 
E à parte dissôh, tanho am mim todos as raios dos sonhos do mundo!

(ai, que me tá a faltar a estupeta, a maxama, e as ôvas de pôlvo!)

Por isso, no fim, e para fins artísticos, provavelmente não deverá haver Cânones para como deve ser Álvaro de Campos. Mas ao representarem Álvaro de Campos como Pessoa, é mais Pessoa que as pessoas se vão lembrar e menos “Álvaro de Campos” como Pessoa dizia que devia ser.

 

 

 

Google Maps cria negócio instantâneo !

Esta cena de um gajo poder criar “estabelecimentos” do nada no Google Maps deixa-me aparvalhado. Com uma foto apenas da Taberna do Zé Grande em Tavira, e a indicação do endereço aproximado, o Google Maps aceitou a criação do sítio, e eu nem trabalho para o dono do estabelecimento.
Agora o Google Maps instituiu o cargo de “colaborador” ou “curador” da informação disponível sobre os estabelecimentos que estão disponíveis na view de “default” do Google Maps. Há umas semanas deparei-me com um “tal” de restaurante de “peixe pescado” na ruína que era a casa do Vaz da Silva aqui em Cabanas (agora escondida por detrás de uma vedação de obra).
Chamei a atenção dos responsáveis que removeram tal “fantasia” do mapa.
Se eu quiser poderei falsificar um negócio e criar outros estabelecimentos do nada, pelos vistos basta apenas uma foto.
E agora começar a comentar e avaliar estabelecimentos onde nunca meteram os pés ? Surpresa! O Google Maps espantosamente deixa. Se eu tiver um negócio concorrente do meu, posso estragar-lhe a reputação.
Até que ponto as informações (e eu nem ganho nada do Google por colaborar com eles) que este género de nova “potencialidade” de colaborador são fiáveis !?
Quando o carro que andava a câmara “rodopiante” panorâmico andou por aí a fotografar todos os caminhos algarvios – chegou inclusive a ir aos Cintados ! – alguém sabe onde é ? É a norte do Faz Fato, mesmo “acima” do limite norte da freguesia da Conceição, esteve lá e tudo!street view - ponte do beliche nos cintadosAs fotografias devem ter lido as placas dos nomes das ruas. Mas cometeram alguns erros como eu vejo em Cabanas ele considera o Largo Armação da Abóbora é a saída das garagens subterrâneo do Empreendimento “Aldeia Formosa”.
A Rua da Fortaleza em vez de começar na esquina oposta à da Casa Viana só começa lá à frente quando acaba a marginal. Até ao fim da marginal é sempre “Avenida Ria Formosa”. Dali para a frente todos os números das casas para o Google são
Não acham isto grave ? As empresas de distribuição de encomendas on-line concorrentes do CTT Expresso de certeza que usam o Google Maps para traçar o percurso para entregar as encomendas aos clientes. Se uma informação destas estiver incorrecta, a encomenda pode ir parar à pessoa errada. De lembrar que os serviços de encomenda expresso não pedem identificação na hora de entregar encomendas, mas o CTT expresso pede.
 
Alguns dos caminhos que aparecem no Google Maps para leste de Cabanas são caminhos dentro de propriedades rurais privadas. Fico a desconfiar se os donos das ditas não terão levantado problemas por o Google Maps “permitir” que o caminho apareço como “aberto” e “disponível”. Fico a pensar naquele ideia de agora o Google ter sido “condenado” a esquecer a informação que guardava sobre o passado de certas pessoas, o mesmo pode ser feito a nível do Google Maps.
 Desafio-vos a todos a irem dar uma espreitada na zona das vossas vizinhanças a ver se não encontraram coisas que não são “ginásios pokémon” ou “lojas de venda de gambusinos”.