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Terminei de ler “1189: Último Massacre” de Nuno Campos Inácio 

1189: Último Massacre1189: Último Massacre por Nuno Campos Inácio

Avaliação no Goodreads: 5 of 5 stars

É-me um bocado complicado em poucas palavras falar deste romance histórico. Numa frase, a trama essencial é a visita de um monge cristão escandinavo guiado por um agricultor judeu habitante em Silves para poder traçar um mapa das regiões a conquistar pelo exército cristão da 3ª Cruzada que pára em costas algarvias ao serviço do rei português para conquistar o Barlavento Algarvio. Ao longo de 250 páginas, Nuno Campos Inácio descreve a costa algarvia sul de Sagres a Faro. A riqueza de detalhes é o resultado de uma extensiva pesquisa bibliográfica de que o número de entradas na bibliografia faz caso. Apesar do rigor de querer mostrar os termos usados na arte militar da época em todos os lados, obviamente não posso deixar de lado a crítica imanente ao Cristianismo. Sendo agnóstico e laico, não reajo de forma emotiva às ideias propaladas no livro que já serão do conhecimento geral porque o livro de Dan Brown “O Código Da Vinci” faz alusão à história da relação de Jesus com Maria Madalena que por sua vez é referido no Evangelho apócrifo de Filipe, o autor segue a mesma ideia e desenvolve-a, pondo de lado discussões sobre as bifurcações que o Cristianismo primitivo teve e o seu enquadramento nos acontecimentos da época. Achei no entanto deliciosa a ideia do primitivo povo cúnio, anterior à conquista romana, ainda subsistir quais “índios” no meio dos mouros.
De qualquer forma, o livro não vale pelo título que ostenta, pois o massacre é descrito apenas nos últimos capítulos. Todo o livro devia chamar-se era “Viagem pelo Al-gharb, na perspectiva de um cristão”.
Não entendi a intenção das ideias do autor do prefácio e de que maneira o mesmo se encaixa com o enredo sob uma possível luta milenar entre adoradores do sol e da lua. Pareceu-me solto do enredo.
Dar uma visão de todo e contar todos os pormenores e detalhes de uma época dá muito trabalho, é por isso que o género de “romance histórico” é difícil. O autor tem a sua liberdade criativa bastante mais restringida, porque no fundo o que ele faz, como se fosse um pintor, é acrescentar uns pormenores aqui e ali quando a maior parte da moldura e da ideia da época já são mais que definidos. Assim, o autor e por consequência o narrador vai ter de dar muita informação a respeito de todos os detalhes “já definidos”.
De qualquer forma, no global, gostei, só tive pena que o ponto mais leste que a viagem do monge nórdico tivesse terminado por Al-Harum (Faro) e não tivesse chegado cá para os meus lados, eu que sou de Tavira :).

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